JORNAL MILENIO VIP

Histórias de Magé

Meu Bazar de Emoções versos de David d’Almeida

 

 

Balada da Brisa Vadia

Brisa vadia,
brincando nas folhas,
carícias fazendo, às flores fulises [felizes?]
aos beijos do sol.
Brisa vadia
na beira do rio,
mexendo a folhagem.
Causando tremores
na água que corre,
dolente pra [o] mar.
Brisa vadia
quero saber de onde
você está vindo.
Quem sabe pra onde,
você há de ir,
de tempo de quando,
me trouxe saudades?
Lembranças me trouxe,
perfume de beijos,
que trouxe pra mim?
Brisa vadia,
não trouxe o que pensa,
não trouxe o que quero,
passando, passando,
brincando nas flores.

As Três Palmeiras

Eram três palmeira imperiais,
centenárias, imponentes, maravilhosas,
palmeiras da minha praça, marcando
riscos de sombras retas resguardando,
nas suas palmas ninhos de sanhaçus,
alegrando com seus cantos,
as tardes todas da minha infância,
povoada dos sonhos bons
que se abrigavam nelas,
e prometiam um viver sorridente,
feliz cheios de paz e amor.
Mas em benefício do progresso,
tombaram com incrível furor,
benefício do progresso?
Sei lá. Benefício da vaidade,
de homens daquela época,
que pensando que para progredir,
é preciso antes de mais nada, destruir.
E tombaram as três palmeiras.
E com que finalidade?
Remodelar aquele canto da praça?
Por que? E para que?
Dar-lhe mais graça?
O fato porém, é que tombaram as palmeiras,
deixando a praça vazia,
de palmeiras imperiais,
despovoadas dos sonhos
e dos cantos dos sanhaçus.
deram-lhe um chafariz sonoro
e luminoso, que hoje à incúria dos homens,
é lago de águas paradas
é ninho de larvas de mosquitos, muriçocas
e de endemias, a não ser
que se modifique, banhando-se de petróleo,
para corrigir-lhe o caminho natural,
por ser-lhe o foco de pica-pica,
dos mosquitos que lhes tiram a graça
dos sonhos e dos cantos dos sanhaçus.
Ah! Minhas palmeiras.
É preciso agora replantá-las
e esperar mais cem anos
para sonhar,
ouvindo o canto dos sanhaçus,
que é muito tempo,
e já não tenho tanto tempo.
O que é uma pena!

Paz

Paz!
Quanto humano sacrifício.
Consome a tua reverência.
quantos entregam a ti,
o corpo em chagas
e quantos oferecem em holocausto
à tua indiferença,
à própria inteligência.
Tu sabes Paz,
que o homem perdurará nos séculos,
e com ele,
o desejo de prepotência!
Sempre haverá um forte,
a esquecer de ti.
E haverá um fraco sempre,
a clamar por ti.

Paz!
Mentira que todos buscam
e alguns, poucos a escondem.
Paz terá,
que for além da vida,
do infinito além,
para encontrá-la em Deus.
Amém