JORNAL MILENIO VIP

Histórias de Magé

O carnaval em Magé

Aonde está o carnaval de Magé? Aonde estão as Escolas de Blocos?

Os foliões de Magé sentem a falta do carnaval que era considerado por alguns o 2º melhor do Brasil, o melhor da baixada, etc, etc, etc. Concordo com tudo o mais que se diga a respeito do carnaval de Magé. Só não vou concordar nunca com algumas pessoas que andam falando e outras escrevendo em semanários locais que o carnaval em Magé acabou por culpa dos governantes;

Antes de começar a expor a minha opinião, quero dizer que não tenho procuração nenhuma, e nem sou “pau mandado” de nenhum prefeito.

Há mais de 13 anos que o carnaval de Magé tem somente 2 ou 3 escolas de samba. Pois Lira do Delírio, Vila Carvalho, Bonfim, Acadêmicos de Santo Aleixo, já fazem parte de um passado um pouco distante. Justamente por seus diretores e presidentes não terem continuado com o trabalho para colocarem as suas agremiações na rua durante o carnaval, ou por não terem encontrado na comunidade alguém que quizesse dar continuidade ao árduo trabalho: alguns por trabalharem demais e sozinhos, outros por não terem o apoio da comunidade (que é fundamental)

Há uma ajuda oficial e legal por parte da prefeitura, chamada subvenção. Eu, particularmente sou contra a referida verba, por achar que: enquanto um município tiver dificuldades para comprar aparelhos básicos para os hospitais e postos de saúde, material escolar, manilhas para saneamento, medicamentos, pagar exames como: ecocardiograma e tomografia para a população, não deveria dar subvenção para blocos e escolas de samba; pois no meu entender, blocos e escolas de samba devem vir para as ruas desfilar com dinheiro arrecadado nas quadras de ensaios, com vendas de bebidas, rifas, almoços, doações de simpatizantes, com doação em “livro de ouro” passado no comércio pela diretoria como fazia o meu tio “Umbá” juntamente com alguns diretores quando foi tesoureiro da Flor de Magé em outros tempos? Com bailes e noitadas de samba e pagode;

Pois o carnaval de desfile de escolas e blocos em Magé morreu por falta de diretorias sérias que queiram trabalhar. A Flor de Magé pode ser citada como exemplo, pois nela eu desfilo desde os oito anos – hoje estou com 34 – e via o trabalho do saudoso “seu Nonô” nosso eterno presidente, que também com o saudoso “Bené” entre outros batalhadores, lutavam para “movimentar” a quadra durante todo o ano, pois o dinheiro da subvenção mau dava para vestir baianas e bateria. Lembro-me também do Presidente Ismar Ascar que nos deu um título em 1988 e que em 1989 não pôs a escola para desfilar, pois comprou material para cobrir a quadra. Entre 1985 e 1987 o presidente Haroldo dos Santos, - meu pai esteve à frente da escola, e ela foi movimentada por grandes serestas e sextas-feiras pelo mrº Bira.; às vezes enchia tanto, que a porta tinha que ser fechada, esperando alguns saírem para que outros pudessem entrar.

Mas de alguns anos para cá, a Flor de Magé, o Canal, e alguns blocos, passaram a ter alguns presidentes que mais pareciam donos das agremiações , pois diretoria “só havia de enfeite”, e as quadras permaneciam e permanecem fechadas para o samba, mas são usadas para: batizados, casamentos, aniversários, velórios, capoeira, karatê, aulas de dança, funk, cultos evangélicos e até comitê eleitoral, o que é proibido por lei.

Em 1995, o presidente da Flor de Magé – devo lembrar que não houve uma eleição para empossá-lo em mais um mandato para o período citado, pois o conselho deliberativo não era renovado ou empossado desde mais ou menos 1993 – resolveu que a escola não iria sair. A notícia repercutiu e caiu como uma bomba entre os torcedores da escola. Faltando um pouco mais de 30 dias para o carnaval, o presidente resolveu botar a escola na rua. Mas não havia dinheiro. A co-irmã União do canal, também não tinha. Somente o Mundo Novo dizia não precisar de subvenção.

A Flor de Magé e as demais escolas fizeram um acordo com o então prefeito da época, e ele financiou as escolas com uma ótima quantia bem acima da subvenção oficial em 2 vezes, 50% em mãos, e a toque de caixa Flor de Magé e Canal foram para a rua desfilar. Após o carnaval, os 50% restantes não vieram da prefeitura. A dívida cresceu e o então presidente no ano seguinte, 96, deu uma força para uma “nova diretoria” – que também não trabalhou durante todo o ano - botar um triste carnaval na rua. Triste se comparado com outros carnavais. De lá pra cá...

Será que isto é botar carnaval na rua para o povo? Claro que não.
Então gostaria de dizer a esses que vivem falando e escrevendo que o atual governante da cidade não gosta de carnaval e está privando o povo de um bom carnaval, que quem faz carnaval é o povo. E mesmo que um prefeito qualquer não queira fazer carnaval, o povo querendo e desejoso de carnaval, faz um ótimo carnaval. Então pergunto. O que é um prefeito fazer carnaval?
- Dar dinheiro para as agremiações acima do valor da subvenção? E pior, tirando dos cofres públicos.
- Intervir em diretorias que estejam desintendendo-se para levar as agremiações para desfilarem?
- Apanhar um apito e ir para frente das alas e bateria?
- Trazer escolas de outras cidades para desfilarem em Magé?

Com certeza nenhuma dessas alternativas seria correta. Sendo Cozzolino, Dié, ou qualquer outro que fosse o prefeito, estaria de parabéns caso tomasse a decisão do atual.

Sonorizando e enfeitando todos os distritos. Já que não houve desfile das agremiações, não havia motivo para fechar a Drº Siqueira no 1º Distrito. Penso que a secretaria de turismo de uma cidade que tem tradição de carnaval deveria reunir-se desde cedo com os dirigentes de blocos e escolas para pensar em maneiras de promover melhor o nosso carnaval, promover encontros de baterias daqui com as de for a, desfiles de fantasias, etc, tudo para ajudar a angariar fundos para as agremiações.

Peço aos que conheçam a história do carnaval de Magé, e mesmo os que não conheçam por inteiro, mas apenas uma parte recente dela, que analisem e sejam sinceros: a culpa é dos governantes , ou do próprio povo que gosta samba e não tem feito muito por ele?

Darlan Nery é funcionário público da união, e morador do 1º distrito de magé.