JORNAL MILENIO VIP

Histórias de Magé

Canto Geral a Magé - Aos Mageenses meus irmãos

Navegante dos sonhos,
Com o Mapa de todas as pátrias nas costas,
Escolhi teu peito de serra e mar
Para elevar meu canto.
Contemplando a força indescritível
De teus céus e paisagens,
O Dedo de Deus assinalando infinito indelével.
Eu sinto meu sangue um verde e amarelo
Afogando de emoção meu corpo.
Eu vibro com tuas matas, morros, palmeiras e sabiás.
Umas vezes do passado falando tua história.
Grande, magnífica, ainda pouco conhecida.
Uma inquietude por divugar-te toma minha voz.
Magé, jesuíta, franciscana ou Carmelita
ordeira, fidalga e secular,
Comtemplas as luzes da Guanabara.
Sim, soberba do ruído da modernidade
Desde teu ferido Morro da Piedade,
Na saudade do milagroso Santuário, dormes em sonho azul.
Obrigado terra forte por permitir-me teu chão, teu céu
E deixa-me dizer-te bem baixinho,
Te escolhi para amar-te, viver e morrer.
Não importa se descobriu-te a expedição de Martin Afonso,
que maravilhado contemplou os píncaros da serra
E exclamou:… Oh! Órgãos dos céus.
Não importa, se fostes fundada por Simão,
que não te conheceu
Ou pelo heroico Cristóvão Governador,
Que desbravou teu peito com canaviais e engenhos.
Importa sim, continues fidalga e eternal,
Como uma guardiã no fundo da Baía.
Semeadora de tradição e paz.
Não é por acaso que recebestes um Santo…
Anchieta por repetidas vezes.
E como Moisés bíblico fez brotar água da rocha.
Não é por acaso que o Vice-Rey Vasconcellos
deu-te o título de Vila,
Num glorioso nove de junho de 1789 frente à Matriz.
Não por acaso que sessenta e oito anos mais tarde o
Conselheiro Tolentino, em nome de Sua Majestade deu-te o título de cidade.
Numa tarde imensamente azul, de dois de outubro de 1857.
Não por acaso que Caxias, modelo de herói e patriota,
Nasceu em tua terra e foi batizado em Bongaba.
Não é por acaso que Alcindo Guanabara,
o Príncipe dos Jornalistas,
Nasceu em Guapimirim para nossa glória.
Magé, canto-te com minha humilde voz,
Tratando de acender todas as cores
De teus becos e recantos, com igrejas seculares e
paisagens coloniais,
Nas noites de estrelas, com o símbolo do Dedo de Deus às minhas costas,
E o mar azul beijando a Guanabara em minha frente.
Cidade quarto vezes secular, que luta com civismo
Infatigável na sucessão dos tempos.
Hoje, emancipada, comemoras um século, três décadas e
cinco anos de trabalho fecundo e laborioso.
Magé, escolhi-te sonho azul de meu arquipélago interior.
Deixa-me dizer-te bem baixinho:
Para amar-te, viver e morrer.
Deixe-me para sempre olhar teu céu, a serra, o mar!

Dario Navarro - 1995