JORNAL MILENIO VIP

Histórias de Magé

150 anos depois, a 1ª ferrovia do Brasil ainda aguarda restauração. - Parte III

Até 1980, o conjunto ferroviário era mantido e guardado pelos funcionários da estação transmissora, mas com a sua desativação o local foi abandonado e iniciou-se o processo de deterioração, embora a RFFSA desenvolvesse trabalhos de preservação histórica, dentro do Programa de Preservação do Patrimônio Histórico do antigo Ministério dos Transportes, tendo criado, em 1986, o setor de Preservação do Patrimônio Histórico Ferroviário, depois transformado em uma gerência.

Em 1984, foi elaborado pela extinta Fundação para o Desenvolvimento da Região Metropolitana do Rio de Janeiro e pelo Instituto Estadual do Patrimônio Cultural, o inventário dos bens culturais de Magé, onde consta, às fi. 55/59, o estudo da estação da Leopoldina Railway (antiga estação de Guia de Pacobaíba) que situa-se à beira-mar, em frente ao cais de Mauá, em área plana. Já naquela época sua vizinhança encontrava-se completamente loteada e ocupada, salvo a parte da construção principal da estação e da casa do agente, por estarem situadas em uma grande área murada, onde a RFFSA fez novas construções para abrigar os seus serviços.

A primeira estação ferroviária é descrita como sendo uma construção em alvenaria de tijolos aparentes (estilo inglês), seguindo os moldes característicos das pequenas estações da Leopoldina Railway, com planta retangular, coberta de telhas francesas, em duas águas, com marquise de proteção e plataforma de embarque em conataria.

Já o cais de Mauá é descrito como sendo uma grande obra de engenharia, avançando cerca de 250m, pela baía de Guanabara, servindo como atracadouro de embarcações de grande porte. Os pilares do cais são feitos em tubos de aço cheios de concreto, tendo um vigamento em forma de treliça, em péssimo estado de conservação e havia um sistema de amortecedores de chumbo para permitir o acesso de locomotivas.

A primeira estação ferroviária construída no Brasil, a estação Mauá, que depois passou a chamar-se Guia de Pacobaíba, apesar de tombada pelo governo federal, está se deteriorando com o tempo, em que pesem as restaurações promovidas, desde 1974, pela Rede, para montar um minimuseu, que não se manteve, devido a invasões e depredações, inclusive com retiradas de trilhos e dormentes.

Em 1989, a Sra. Alda Neves e o Sr. Luís Otávio de Oliveira, da ABPF, apresentaram à Companhia de Turismo do Estado do Rio de Janeiro os seus respectivos projetos de reativação da 1 a ferrovia do Brasil, formando o processo E11-70196/89, o qual, apesar de ter reconhecido o seu potencial turístico, restou paralisado, após diversas reuniões. Em março de 1991, a Superintendência de Patrimônio da RFFSA elaborou um projeto de restauração da estação de Guia de Pacobéllôa, compreendendo uma sala de exposição da memória da ferrovia, uma agência, um armazém e um mini-shopping. No mesmo ano de 91, a Light Serviços de Eletricidade SI A, aprovou a concessão de crédito premunido de ICMS, no valor de Cr$ .80.000.000,00 (oitenta milhões de cruzeiros), com base na lei estadual de incentivo à cultura n.O 1.708/90, para a ABPF fazer a recuperação da Estrada de Ferro Barão de Mauá, de Guia de Pacobaíba até Raiz da Serra, envolvendo a RFFSA, a CBTU, o IBPC, a Companhia Vale do Rio Doce, a CONERJ, a TURISRIO e Jornal do Brasil, o qual não foi efetivado, apesar de aprovado pela Secretaria Estadual de Cultura, porque quando do seu trâmite pela Secretaria Estadual de Fazenda, o incentivo foi retirado, por decisão do governo do Estado da época.

Inobstante a não liberação do incentivo cultural, a Light reformou uma pequena locomotiva do tipo auto-de-linha, doada pela CBTU, em 1991, para ser usada na manutenção da ferrovia a ser reativada, bem como, em 1992, foi reconstruída a passagem de nível da 1 a ferrovia, cruzando a rodovia Rio-Teres6polis, em Bongaba, Magé.

Em 1993, o Ministério dos Transportes lançou o Programa de Revitalização de Áreas de 27/10/93, pelo qual a área de Guia de Pacobaíba da RFFSA foi considerada prioritária, dado o seu grande interesse histórico, sendo feita uma audiência pública, em 22/02/94, na sede da Rede, no Rio de Janeiro, para apresentação da área da primeira estação ferroviária a ser revitalizada, estando presentes 14 pessoas, dentre elas, representantes da ABPF, da Prefeitura de Magé e empresários.

Em 1994, a RFFSA tentou transferir a exploração da primeira ferrovia do Brasil para a iniciativa privada, realizando uma concorrência pública para a concessão do direito real de uso, visando a instalação de um empreendimento comercial, turístico e/ou cultural na área de 78.079m2, junto à antiga estação de Guia de Pacobaíba. Apesar de 11 empresas retirarem o edital, nenhuma delas apresentou qualquer proposta, o que inviabilizou o certamente o fracasso da privatização da ferrovia, no mesmo ano, a RFFSA assinou o contrato n.o 71/94 com a CONERJ, concedendo-lhe o direito real de uso da ponte de atracação e de uma área remanescente de 4.35 7m2, junto ao cais de Mauá, para o transporte de passageiros de uma ligação hidroviária entre a Praça XV; no Rio, e Guia de Pacobaíba, em Magé, pelo prazo de 30 anos.