JORNAL MILENIO VIP

Histórias de Magé

Relato do naturarista Auguste de Saint-Hilaire sobre Porto da Estrela

“Partira ao meio dia do Rio de Janeiro; cheguei às seis horas ao Porto da Estrella, onde já o rio tem muito pequena largura. Esta pequena povoação pertence à parochia de Inhomirim e não possue mais do que uma capella construída sobre e dedicada a Nossa Senhora.

Desde que comecei a viajar o Brasil, lugar nenhum me apresentou tanto movimento como Porto da Estrela. Há difficuldade em nos encontrarmos uns aos outros no meio das bestas que partem ou chegam, dos fardos, dos almocreves, das mercadorias de todo o gênero que se accumulam nessa povoação. Lojas bem sortidas fornecem aos numerosos viajantes aquilo de que carecem.

Aliás, não existe, em volta de Porto da Estrella, nenhuma habilitação digna de nota (1819); mas cultiva-se um pouco de café nos arredores. A primeira casa se apresenta é o rancho destinado a abrigar as caravanas; é uma construção bastante longa, dividida em espécies de células por paredes de barro, e na frente da qual o tecto prolongado forma uma vasta galeria cujos pilares são de tijolos (1819).

Cada caravana se abriga numa das cellulas do rancho, ahi arruma a sua bagagem e faz a cozinha: nenhuma espécie de conforto, nem mesmo uma mesa, ou um banco, e, quando da minha passagem, via-se o céo através das divisões mal conservadas.”