JORNAL MILÊNIO VIP - Fragmentos de Conversas solo VII

Colunistas - Antônio Laért

Fragmentos de Conversas solo VII

Publicado na edição 163 de Dezembro de 2017

"O pensamento é como o vento, é capaz de tirar tudo do lugar".
Hanah Harendt (1906-1975)

                                                                                                                                       
“O tempo fica cada vez mais lento e eu  lendo,lendo, lendo, vou acabar virando lenda". 
Paulo Leminski (1944-1989)
                                         

Quantos remédios  terá  ministrado  a  tantos,  esse  homem  de  Deus, nascido em Remédios-MG ? Umas palavras, alguma orientação,  escuta apenas,  talvez um silêncio, ainda um  olhar ou  quem  sabe, um despertar  para  as  fagulhas  do bem.  Tudo isso calou fundo em muitos corações. Quantos remédios é capaz de ingerir um ser humano ao longo da vida ? E quantos remédios um médico poderá receitar em seu ofício ? Quem será capaz de fazer essa conta? Não importa o diagnóstico,  tampouco a dosagem, o que é relevante mesmo é a cura, a  conseqüência  que  esses  remédios trouxeram na  vontade  de  voltar  à  vida em  plenitude  ou mesmo no  ânimo de lutar para  que ela novamente se  restabelecesse. Minha reverência ao querido monsenhor Ildeo Malta, um médico de almas que  esteve entre nós, curou, encantou, cumpriu seu caminho, completou  a  corrida   e  deixou  marcas. Oxalá receba  a coroa  que  lhe  está  reservada. 
 
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As vezes sou  levado  a  pensar  que  amo  o  silêncio  desde moço. É que, mesmo sem dar por isso, fui atraído, compus  canções nessa direção, realçando um aspecto até então totalmente desconhecido  para mim. Hoje o tema é cada vez mais recorrente e ocupa  grande espaço em  minhas  reflexões.  Será que a vida está voltando ao seu lugar ou eu é  que  estou  recolhendo  os  pedaços  que deixei  por  aí ?
 
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Qual a sua utopia ? Uma sociedade perfeita ? Isso é inexistente no agora e inviável  no  futuro ? Não há mais utopia ?  Que  triste o  silêncio  das  utopias. É tão incrível, que não é crível. Somos  ou  não  somos ?  Falta algo ? Nada ? Uma certeza ? Pensar é  perder-se do lugar, por isso  estava  perdido  em  pensamentos.  Isso só se  faz possível no  silêncio que  ocupa  e  invade  tudo.
 
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O mundo é  imundo ? Que coisa. Jogo de palavras ? Indagação? Afirmação ? Como  é  linda  e rica  nossa  língua: cada  palavra  é  uma  coisa,  mas  também  o  seu  contrário.
 
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Sem  abrir  mão  dos  saberes  acumulados, o  que  desejamos  em  verdade, é  criar  possibilidades  de  lugares  que  não estão  dados, para  não  sermos  engolidos,  já  que,  em  verdade,  somos  herdeiros  de  uma  grande  aposta  no  futuro.  O futuro, aliás, começou  ou  acabou  de  acabar ?
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Nessa era dos extremos, ter dinheiro significa ser  agraciado ? O futuro chegou apenas para quem pode comprá-lo ? A dívida é  um  motor que  arrasta  a  todos. Ninguém controla a nuvem em que se  transformou o  capital.  Onde deixamos a  coragem  para  mudar  o  mundo ?
 
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A rapidez das mudanças é esgotante e paralisante. Meu  coração  fibrila,  parado  de  tanto  bater. Sou ilimitado  no limite.  Há uma nostalgia do que já  foi  e  um fingimento  do  que  será.

Antônio Laért
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