JORNAL MILÊNIO VIP - Velhas ideias novas

Colunistas - Antônio Laért

Velhas ideias novas

Publicado na edição 162 de Agosto/Setembro de 2017

“Triste época! É mais fácil desintegrar um  átomo do que um preconceito”.
Alberto Eisntein (1879-1955)


“Há mais coisas entre o céu e a terra, do que podemos imaginar”.
William  Shakespeare(1564-1616)  


Assombrado com imagens, assustado com coisas e novidades que tem acontecido nesse mundo difícil de destrinchar, tenho perambulado por aí, quase sem entender o que se passa. Vivemos desorientados, nessa rápida, acelerada e alucinante transformação, sem um modelo capaz de oferecer respostas aos desafios que nos são impostos dia após dia por essas mudanças. Nesse mal estar contemporâneo, tenho procurado encontrar o sentido e alcançar a compreensão destes acontecimentos velozes, sem êxito, assoberbado pelas expectativas e rupturas. Me consola o fato de não ser o único estarrecido, pasmo, desorientado. Por vezes chego mesmo a pensar que não há espaço para mim nessa quadra da vida que temos vivido. Não, mas não é caso de suicídio. Na minha perplexidade e medo ainda existe uma ponta de coragem e esperança. Nossa sociedade está esgotada e exausta de tudo: da velocidade, da representação, da saturação de informações, dos modos de controle e monitoramento da vida. Temos dado sinais de cansaço de um modo de existência que não foi escolhido por ninguém, mas imposto a todos. Sentimo-nos exigidos, coagidos e cobrados a otimizar e aperfeiçoar sempre, o que se traduz num mecanismo cruel de extração de vida. Gastamos horas a esmo falando de assuntos que boiam na superfície daquilo que realmente importa. Remover todos os clichês que estão grudados na gente e que nos dizem o que é o amor, a felicidade, a vida, a beleza, é o que essa aceleração muitas vezes impõe e interpela. Cedemos sem muito pensar,  porque o  tempo,  com toda essa  urgência e  peso, é  cada vez  mais  escasso. Ah, quisera eu pensar sem corrimões para saber  viver nos  dias que  correm, usufruindo de uma farta safra de contentamento e bem aventurança para reencontrar  as  fontes  da alegria perdida, recuperando-me do agito acelerado deste  tempo estranho  e  sombrio.

Antônio Laért
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